5 + 1 impactos positivos que os transgênicos trouxeram para a indústria de alimentos

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Basta uma rápida pesquisa no Google para se observar que o tema dos transgênicos é um tema polêmico. Muito se discute sobre a segurança para a população, para os animais e como os transgênicos podem impactar o meio ambiente a longo prazo.

Mas, e você? Sabe qual a diferença entre um organismo geneticamente modificado (OGM) e um transgênico?

Bom, para responder essa pergunta, precisamos entender que o termo OGM é um termo mais amplo que é utilizado para designar qualquer tipo de manipulação no DNA de um ser vivo. Um exemplo que podemos utilizar é a inibição de um gene responsável por produzir uma enzima que acelera processos oxidativos. Imagine o escurecimento da maçã pouco tempo depois de cortada. É ocasionado por uma enzima que acelera processos oxidativos. 

Dentro desse contexto de OGM se encontram os transgênicos, que também são geneticamente modificados, mas com a diferença de que este recebeu parte do material genético de outra espécie, visando obter alguma característica desta espécie doadora

Portanto, todo transgênicos é um OGM, mas nem todo OGM é transgênico.

Um breve histórico os transgênicos no Brasil…

Se pudéssemos definir um ano que marca o início da ascensão dos transgênicos no Brasil, esse ano seria 2003; uma única variedade de soja com resistência a Glifosato (um herbicida utilizado para controle de ervas daninhas) chegava ao país e logo obteve enorme aceitação dos agricultores. Hoje já são permitidas no Brasil 14 variações transgênicas de soja, que representam 96,5% de toda soja brasileira, além de variações de milho, algodão, cana-de-açúcar e feijão. (Fonte CIB)

Fonte: Céleres, ISAAA, séries históricas


Mas, no fim, quais os 5 + 1 IMPACTOS DOS TRANSGÊNICOS NA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA.

  1. Primeiro Impacto: Econômico

Como já é de se imaginar, o Brasil com toda área cultivável que tem, possui um primeiro setor (o agrícola) que impacta muito  a economia. Segundos dados do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), o Brasil tem uma área plantada com soja transgênica que ultrapassa os 32 milhões de hectares, e milho uma área que ultrapassa os 15 milhões de hectares e isso movimentou em 2015 US$ 2.5 bilhões.


Com toda essa rápida aceitação dos transgênicos pelo Brasil, ocorreu um aumento da produção, redução das perdas e com isso a oferta ao mercado aumentou. Isso fez com que a indústria conseguisse um produto de maior qualidade e por um preço menor, aumentando assim a capacidade de produção de subprodutos que utilizam os grãos citados como matéria-prima (basta ir no mercado um dia e comparar a quantidade de marcas de amido de milho que existem hoje comparado com 10 anos atrás). E de certa forma esse aumento de produção é repassado ao consumidor que obtém maior variedade e maior qualidade no momento da escolha.

 

  1. Segundo Impacto: Ambiental

Os impactos ambientais positivos que os OGM trouxeram a um primeiro momento são vários. Iremos citar os três principais abaixo:

  • Redução no uso de pesticidas e herbicidas – Com sementes mais resistentes a pragas é possível se reduzir consideravelmente a necessidade de utilização desse tipo de controle de pragas.
  • Redução na emissão de gases de efeito estufa – Com sementes mais resistentes é possível se reduzir perdas ocasionadas por problemas de logística, aumentando assim o aproveitamento por viagem e consequentemente reduzindo a emissão de gases de efeito estufa.
  • Redução no consumo de água e energia – Com as sementes resistentes, redução nas pulverizações e redução na área demandada para a produção foi possível aumentar a economia de água e energia.

 

  1. Terceiro Impacto: Produção de Aditivos

Muitos aditivos (ingredientes que tem por objetivo potencializar alguma característica de um alimentos) são produzidos por microrganismos transgênicos, entre eles podemos citar aminoácidos, vitaminas, aromas, ácidos orgânicos e enzimas. Essa produção garante uma maior segurança, produção em larga escala, podendo assim suprir as necessidades da indústria, redução no custo de produção e também podendo aumentar o desempenho dos ingredientes.

Aqui vamos dar o exemplo de uma enzima: A quimosina é uma enzima utilizada para a produção de queijos, mais especificamente no processo de coagulação. A questão está que antigamente a única maneira de obter essa enzima era  realizando a extração do abomaso de ruminantes lactantes (que ainda dependem do leite para a sobrevivência). Então isolaram o gene que produz a enzima e passaram a utilizar bactérias e fungos para a produção da quimosina. Com isso se obteve uma maior segurança obtenção da enzima (tendo garantia de que o único produto obtido é a determinada enzima), maior facilidade de produção (uma vez que não é mais necessário depender do bezerro).

 

  1. Quarto Impacto: Aumento na Qualidade dos Produtos

Imagine um produto que possui um shelf-life (tempo necessário para que o produto perca suas características sensoriais) curto e que devido a isso é necessário realizar terapias de controle de etileno (um hormônio vegetal responsável pelo amadurecimento de certas frutas) e ser transportado em sistemas com refrigeração adequada para que esteja propício para o consumidor no momento da compra. Praticamente todas as frutas se enquadram nessa descrição. Nos Estados Unidos, frutas como morangos, abacaxis, tomates, entre outras, já foram modificadas para amadurecer mais lentamente.

O produto permanece com a textura inalterada por um longo período, aumentando assim sua durabilidade. Isso permite o armazenamento, transporte e comercialização cada vez mais distantes e com menores perdas.

 

  1. Quinto Impacto: Segurança

Existem várias leis que regulamentam os OGMs no Brasil, mas uma das mais importantes é a Lei da Biossegurança de 2005. Ela estabelece três pilares para que um produto OGM seja aceito. São eles: Proteção da Vida e da Saúde, Princípio da Precaução e Desenvolvimento Científico. Estes três pilares são avaliados por diferentes órgãos independentes entre si, sendo eles:

  • CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança) – Interesse nacional e questões socioeconômicas;
  • CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) – Análise da Avaliação de Risco;
  • CIBio (Comissão Interna de Biossegurança) – Extensões da CTNBio dentro das instituições responsáveis pela manutenção da biossegurança;
  • MAPA/ANVISA/IBAMA – Registro e fiscalização.

E antes de um produto OGM ser aprovado, o mesmo passa por vigorosas verificações de segurança realizadas pelos quatro órgãos citados acima. Isso garante à indústria e ao consumidor final uma maior segurança no produto que é comercializado.

 

Bônus: O que vem após…

Ainda existe muita discussão envolvendo a segurança dos OGMs e, por causa disso, deve existir uma regulamentação adequada, um monitoramento constante e muita pesquisa para que seja evitado possíveis problemas e efeitos nocivos. As vantagens à saúde são diversas e serão úteis para a população mundial que vem tendo um crescimento exponencial. Assim, para suprir essa demanda, a biotecnologia é lógica e inevitável para a maioria dos países que produzem alimentos em larga escala. Utilizar plantas modificadas para reduzir danos ambientais, aumentar a qualidade nutricional, reduzir resíduos agrícolas, ampliar a eficácia de certos ingredientes, entre outros, são algumas aplicações que já são observadas e serão muito mais empregadas no futuro, visando uma vida melhor, mais segura e promovendo uma utilização adequada dos recursos naturais.

Fernandus Silva
Fernandus Silva
Estudante de Engenharia de Alimentos

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